sábado, 6 de outubro de 2012

A festa da democracia

Amanhã, dia 07 de outubro, será um dia em que veremos os noticiários repetirem o velho clichê de que iremos comemorar a “festa da democracia”. Dia em que certamente sairemos das cabines com a sensação de que somos mais cidadãos.

Quando imagino as pessoas que lutaram (ou morreram) por democracia neste país e em outros lugares do mundo, me questiono sinceramente se eles acreditavam que o papel dos cidadãos nas democracias estaria restrito a depositar votos em urnas, isto é, em legitimar através do voto uma maneira de exercício do poder que tem se tornado cada vez menos democrática.

Não é um problema que tenho com as urnas em si! Antes, pelo contrário! Mas, de entender que não podemos considerar como democracia a “escolha” de um candidato pela população de um nome posto previamente por determinados grupos que loteiam a possibilidade de exercício do poder estatal.


Nossa democracia tem se constituído basicamente de uma farsa. A farsa da esperança de uma mudança que se resume, quem diria?, em (não) mudar... nada. Ora, deixando de mão as ilusões teóricas nas quais “tudo é possível”: quantos candidatos venceram alguma eleição sem se aliar com os detentores do poder? O problema é que o que era para ser sinônimo de repartição do poder entre diferentes agentes políticos, termina sendo controle do poder político, sobretudo, por aqueles que possuem o poder econômico. Não quero, obviamente, com essa crítica defender a mudança do sistema atual por um baseado na confiança irrestrita em pessoas bem intencionadas. Mas sim, realizar um questionamento subjetivo que, partindo da ideia que atuamos politicamente em diversos atos da nossa vida, problematize qual a nossa responsabilidade nos diversos problemas que acometem a sociedade. Para muitos esses problemas parecem não existir, o que, convenhamos, é a mais absurda forma de alienação classista. O que parece óbvio demais para perguntar é: de quantas eleições iremos precisar para entender que o voto não é a solução suficiente para esses problemas?

Em homenagem a todos que colocarão seus legítimos narizes de palhaço amanhã para compôr uma farsa anti-democrática realizada em nome da democracia, dedico o vídeo que segue, no qual, quem diria, “finalmente” descobrimos a tecnologia que fará com que o Estado deixe de arrecadar mais de 600 milhões de reais nessas campanhas eleitorais[1] . Feliz festa da democracia para todos nós!


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